O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, já deixou bem claro de onde vai copiar a receita para a economia. O filho de Jair Bolsonaro disse com todas as letras que vai dar “continuidade ao que o Paulo Guedes começou a fazer com o país” e que a ideia é “aprimorar e modernizar” o que o ex-ministro do governo Bolsonaro fez entre 2019 e 2022.
Para entender a gravidade da situação, vale lembrar o que foi a era Paulo Guedes: privatizações de serviços essenciais, cortes nas áreas sociais, menos direitos e mais escassez.
Inflação engoliu o bolso das famílias
Com Paulo Guedes, o custo de vida disparou. A inflação bateu o recorde de 10,06%, a maior desde 2015. As contas que mais pesam no dia a dia foram as que mais subiram. A comida ficou mais cara. Os transportes saltaram 21,03% só em 2021: a gasolina subiu assustadores 47,49% e o etanol disparou 62,23%. O governo tentou colocar tudo na conta da pandemia, mas a verdade é que a política econômica adotada pelo governo Bolsonaro não ajudou a combater a crise sanitária e social. Pelo contrário, aprofundou.
Renda despencou e a pobreza bateu recorde
Os salários também derreteram. Em 2021, o rendimento médio do brasileiro caiu para R$ 1.353, o pior patamar da série histórica do IBGE desde 2012. A queda foi de quase 7% em apenas um ano, castigando principalmente quem já ganhava menos.
O resultado social foi devastador: quase 30% da população, 62,5 milhões de brasileiros, foram empurrados para baixo da linha da pobreza. Desse total, quase 18 milhões passaram para a extrema pobreza, passando fome. Quase metade das crianças com menos de 14 anos (46,2%) terminou aquele ano na pobreza.
Tesoura na educação e no serviço público
A marca registrada de Paulo Guedes sempre foi cortar gastos públicos, e isso sobrou para os serviços básicos. Em abril de 2021, o governo passou o facão nas verbas e congelou R$ 2,73 bilhões da Educação e R$ 372 milhões da Ciência e Tecnologia. Universidades e institutos federais ficaram sem dinheiro nem para pagar as contas básicas de luz e segurança.
A pressão também veio contra os servidores. O governo tentou aprovar a Reforma Administrativa (PEC 32), que acabava com a estabilidade de várias carreiras e abria espaço para a precarização. O plano era enxugar o Estado, mas a consequência imediata seria a piora no atendimento à população em hospitais, escolas e na distribuição de medicamentos pelo SUS.
Privatização da Eletrobras: luz mais cara para os brasileiros
Outro pilar da política econômica de Guedes foi entregar as empresas públicas para o setor privado. O maior exemplo foi a Eletrobras em junho de 2022. O governo abriu mão do controle acionário da maior empresa de energia da América Latina. A promessa era baixar a conta de luz e atrair investimentos, mas o fato concreto é que o país perdeu o controle sobre um setor estratégico e a conta de energia ficou mais cara, pesando ainda mais no bolso do consumidor.
Flávio Bolsonaro quer o Brasil de volta ao passado
Quando Flávio Bolsonaro diz que vai continuar o projeto de Paulo Guedes, ele não está falando de teorias, mas de medidas concretas que afetam a vida dos brasileiros. Essa sinalização de retorno ao passado ganha contornos ainda mais preocupantes quando olhamos para as propostas trabalhistas que sua campanha já desenha para as Eleições de 2026.
O plano de governo foca explicitamente na desregulamentação e no desmonte de garantias básicas para baratear a mão de obra brasileira. Entre as medidas mais nocivas estão a prevalência do negociado direto sobre o legislado, o que deixa o trabalhador vulnerável na mesa de negociações. A oposição irredutível ao fim da escala 6×1 e o apoio a contratos por hora trabalhada e de mudanças constitucionais que protegem a imensa maioria de brasileiras e brasileiros.
A eleição de Flávio Bolsonaro, portanto, coloca em risco o futuro da classe trabalhadora brasileira e dos serviços públicos, colocando em xeque conquistas históricas como a CLT e o acesso universal à saúde e educação. Sob essa perspectiva, o projeto de continuidade de Paulo Guedes não representa apenas uma escolha de modelo econômico, mas sim a escolha de um país onde o trabalhador perde proteção social e passa a carregar sozinho todo o custo do mercado.



