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Menos servidores, menos estabilidade e mais controle ideológico: o projeto de Milei, Bolsonaro e Trump para o serviço público

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A declaração da coordenadora econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, de que a política econômica do presidente argentino Javier Milei é um “ótimo exemplo” a ser seguido pelo Brasil, deixa claro qual é o projeto da extrema direita brasileira para o futuro dos serviços públicos e dos servidores no nosso país.

Isto porque o presidente da Argentina, Javier Milei, um dos principais representantes da extrema direita no mundo, tem seguido à risca a cartilha de  “drenar o pântano” defendida por Donald Trump em relação à administração pública: flexibilização da estabilidade dos servidores, redução das políticas sociais sob o discurso de redução da máquina estatal e o aumento do controle do Poder Executivo sobre os servidores.

Enquanto para Trump, os serviços públicos são um pântano, a motosserra é o símbolo clássico usado por Javier Milei na Argentina para representar o corte drástico nos serviços públicos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, buscando reproduzir o efeito da motosserra de Milei, optou pela tesoura como símbolo para representar uma das principais promessas de sua campanha à Presidência: cortar gastos públicos.

O governo da Argentina afirmou ter reduzido 50 mil cargos estatais desde o início do mandato de Milei. Em 2025, o ministro da Desregulação e Transformação do Estado da Argentina, Federico Sturzenegger, disse que “todo esse pessoal infelizmente não tinha muita utilidade”. De acordo com o próprio ministro, foram reduzidos 50.591 postos de trabalho no Estado, a maioria deles na administração pública (29.499), seguidos por empregos em estatais (15.592) e pessoal militar e de segurança (5.500).

Sob o argumento de reduzir a máquina estatal, Milei tem implementado um verdadeiro desmantelamento das políticas públicas e de direitos sociais na Argentina. As demissões impactaram diretamente, por exemplo, no Serviço Meteorológico Nacional para a previsão de catástrofes, o direito à previdência com fechamento de centros de segurança social em diferentes cidades e o atendimento de saúde, afetando a política de vacinação e tratamento de câncer.

O resultado não poderia ser outro. Ao atacar os serviços públicos, aprofunda-se a crise social e a desigualdade aumenta. Hoje, a Argentina está á beira de uma recessão econômica e 32,2% da população está em situação de pobreza.

Nos EUA, Trump também tem conduzido um projeto de desestruturação do Estado que já implicou no desligamento de 317 mil servidores federais entre janeiro e novembro de 2025. O pilar desse projeto é o Schedule F, decreto assinado poucas horas após a posse de Trump, que autoriza o Presidente a reclassificar dezenas de milhares de servidores de carreira como cargos de livre nomeação, acabando com a proteção contra demissões políticas.

A PEC 32 de Jair Bolsonaro também atacava o regime de estabilidade dos servidores brasileiros sob o discurso de modernização e desburocratização do estado. Assim como o Schedule F de Trump, o ataque ao regime de estabilidade dos servidores brasileiros com a abertura para novos vínculos de contratação proposto pela PEC também abre caminho para o apadrinhamento político e a perseguição de servidores que denunciem irregularidades. Ambas as propostas buscam concentração de poder.

Tanto Trump nos EUA, quanto Milei na Argentina e o bolsonarismo no Brasil sustentam o projeto de desestruturação dos serviços públicos sob o discurso de que o estado é inchado demais, que se gasta muito com os servidores e que os funcionários públicos de carreira sabotariam as agendas dos mandatários escolhidos pelo voto popular. O que eles não dizem é que o projeto da extrema direita para os serviços públicos é parte da sua estratégia de enfraquecer a estrutura do Estado Democrático que garante direitos sociais, avançando no autoritarismo e na concentração de poder.