Valter Campanato/Agência Brasil
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5  ataques do governo Bolsonaro aos serviços públicos e servidores

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Os servidores e os serviços públicos do Brasil atravessaram um dos períodos mais difíceis da história recente do nosso país sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A tônica do governo anterior baseou-se em uma agenda de aparelhamento do estado,  desestruturação do acesso a direitos básicos e ataque à estabilidade e direitos dos servidores.

1 – “Apagão” das Negociações

Sob o governo Bolsonaro, não houve nenhuma reunião da Mesa Central de Negociação. Ao longo de quatro anos, o governo federal promoveu um verdadeiro apagão do diálogo com as entidades representativa dos servidores. O resultado não poderia ser outro: Bolsonaro foi o primeiro presidente em 20 anos a concluir o mandato sem aplicar reajuste salarial ao funcionalismo.

2 – Confisco de Direito na Pandemia

Enquanto os servidores públicos estavam na linha de frente do combate à Pandemia, o governo Bolsonaro impôs, através da Lei Complementar nº 173, de 27 de maio de 2020, um bloqueio na contagem do tempo de serviço de todos os servidores públicos (federais, estaduais e municipais) entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, somando um total de 583 dias. De acordo com Bolsonaro, essa seria uma das contrapartidas para enviar ajuda emergencial financeira aos estados e municípios.

Na prática, o período em que os servidores mais trabalharam para manter o país de pé foi confiscado. O tempo roubado impactou na aposentadoria e na concessão de benefícios como quinquênios, triênios, anuênios e licenças-prêmio, gerando prejuízos financeiros para os servidores que só começaram a ser corrigidos anos mais tarde no Governo Lula.

3 – Reforma da Previdência e Confisco Salarial 

Logo no primeiro ano de mandato, Bolsonaro aprovou a Emenda Constitucional 103/2019 que alterou profundamente as regras de aposentadoria no país.

A Reforma subiu a idade mínima para se aposentar, 62 anos para as mulheres e 65 para os homens, além de exigir pelo menos 25 anos de contribuição. Outra mudança que impactou de forma imediata o bolso do servidores foi a criação do desconto progressivo no salário entre 7,5% até 22%. O cálculo do benefício ficou mais rígido e o valor da pensão por morte também foi reduzido.

4 – PEC 32

Também de autoria do governo Jair Bolsonaro e considerada o “sonho de consumo” do projeto de Estado mínimo do então ministro Paulo Guedes, a Reforma Administrativa proposta pela PEC 32 foi enviada ao Congresso Nacional em setembro de 2020.

O objetivo da Reforma Administrativa com a PEC 32 era desmantelar os direitos sociais já conquistados e desregulamentar o papel do estado na área das políticas de proteção social. Se fosse aprovada, a PEC iria enfraquecer o poder de intervenção do Estado Brasileiro sobre o sistema econômico, fragilizar a estabilidade dos servidores, aumentar a corrupção na administração pública e piorar a qualidade do atendimento de serviços essenciais à população.

No entanto, graças à pressão das categorias do serviço público, a PEC não foi encaminhada ao plenário e segue parada no Congresso Nacional.

5. Aparelhamento do Estado

O período também ficou marcado pelo uso ideológico de órgãos de Estado e por assédio político contra os trabalhadores que resistiam ao desmonte dos serviços públicos. Um dos episódios mais emblemáticos foi a elaboração de dossiês sigilosos pelo Ministério da Justiça, comandado por André Mendonça na época, para monitorar e perseguir servidores públicos críticos à gestão presidencial. O assédio institucional operava como ferramenta para enfraquecer a autonomia técnica dos servidores e instrumentalizar o estado Brasileiro aos interesses privados do clã Bolsonaro.

O governo Bolsonaro ao atacar os serviços públicos e os servidores tentou desmantelar um dos pilares fundamentais do combate às desigualdades sociais no nosso país e enfraquecer a estrutura do Estado Democrático avançando no autoritarismo e na concentração de poder.