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Nota de solidariedade à APEOESP

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Na última quarta-feira, 14 de janeiro, a sede estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) foi alvo de um ataque covarde e criminoso. A ação foi protagonizada por dois vereadores do Partido Liberal (PL), de municípios distintos do estado de São Paulo, que lideraram um grupo de cerca de 15 militantes do MBL na invasão ao espaço sindical.

Durante o ataque, foram proferidas ofensas contra funcionários e dirigentes sindicais, partidos e organizações de esquerda, além de ataques ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em um gesto de profundo desrespeito e violência simbólica, os agressores chegaram ao absurdo de arremessar pés de galinha contra as pessoas presentes na sede do sindicato.

Sem qualquer compromisso com o debate público ou com a Democracia, a extrema direita recorre sistematicamente à violência, à intimidação e ao ódio como método de ação política. Trata-se de uma estratégia consciente, que busca silenciar, amedrontar e deslegitimar aqueles que se organizam coletivamente para defender direitos sociais, trabalhistas e democráticos. A naturalização dessas práticas não diminui sua gravidade; ao contrário, evidencia o avanço de um projeto autoritário que precisa ser enfrentado.

Os ataques direcionados às trabalhadoras e aos trabalhadores da educação, bem como às entidades que os representam, não são episódios isolados. Eles fazem parte de uma ofensiva mais ampla contra o funcionalismo público no Brasil, historicamente tratado pela extrema direita como inimigo por sua função social, seu papel estratégico na garantia de direitos e sua capacidade de organização coletiva.

O fascismo, em sua essência, odeia a educação, a ciência, a cultura e o serviço público, pois todos são incompatíveis com a ignorância programada, o autoritarismo e a submissão que sustentam regimes de exceção. Como afirma o professor Eliezer Pacheco, “o fascismo odeia a cultura, odeia a educação, odeia a ciência, porque é incompatível com a formulação independente de ideias. É da essência do regime autoritário e fascista querer sufocar a inteligência”.

Nesse sentido, a violência contra a APEOESP expressa o mesmo projeto que ataca universidades, institutos federais, escolas públicas, servidores e servidoras, sindicatos e movimentos sociais: um projeto que busca destruir o Estado enquanto promotor de direitos, enfraquecer o serviço público e eliminar qualquer forma de pensamento crítico e organização popular.

Diante disso, é urgente redobrar a vigilância, fortalecer a unidade da classe trabalhadora e intensificar o enfrentamento político a esses grupos, tanto nas ruas quanto nas urnas. Enquanto Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais – FONASEFE, manifestamos nossa total solidariedade aos companheiros e companheiras, dirigentes sindicais e funcionários da APEOESP, bem como a essa histórica e combativa entidade, fundamental para a construção de um sindicalismo democrático, plural e de luta em São Paulo e em todo o país.

Repudiamos veementemente qualquer ataque promovido por agentes públicos que desvirtuam seus mandatos e utilizam a estrutura do Estado para difundir o ódio, a intolerância e a violência contra trabalhadoras e trabalhadores da educação e do serviço público. Exigimos a imediata apuração administrativa e civil dos fatos, assim como a responsabilização exemplar dos parlamentares envolvidos que, embora eleitos sob o compromisso formal de defender a democracia, atuam cotidianamente para corroê-la.

Não aceitaremos a naturalização da violência política nem a criminalização da organização sindical e do funcionalismo público. Defender a educação pública, os serviços públicos e os sindicatos é defender a democracia e os direitos do povo brasileiro. Seguiremos firmes, organizados e mobilizados porque não nos intimidam: nossa luta é coletiva, legítima e seguirá avançando contra o autoritarismo e em defesa de um país mais justo e democrático.